Aquecimento global tem impacto direto e indireto no organismo humano
O que são mudanças climáticas e por que estão acontecendo?
As mudanças climáticas são alterações duradouras nos padrões de temperatura, precipitação, umidade, eventos extremos e outros elementos do clima da Terra.
Embora o planeta sempre tenha passado por transformações naturais ao longo de milhões de anos, o ritmo atual de aquecimento é diferente: ele está acontecendo de forma muito mais rápida e é impulsionado, principalmente, pelas atividades humanas.
O principal fator por trás dessas mudanças é o aumento dos gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera, como dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄) e óxido nitroso (N₂O).
Esses gases são liberados por processos como queima de combustíveis fósseis, desmatamento, agricultura intensiva, produção industrial e manejo inadequado de resíduos. A intensidade dessas emissões faz com que mais calor fique retido na atmosfera, levando ao chamado aquecimento global.
De acordo com relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a temperatura média do planeta já aumentou cerca de 1,1°C desde a era pré-industrial. Isso pode parecer pouco, mas representa uma mudança capaz de alterar ecossistemas inteiros, modificar regimes de chuva, intensificar eventos extremos e afetar a saúde humana.
A comunidade científica é unânime: se nada for feito, esse aumento pode ultrapassar 1,5°C ou até 2°C nas próximas décadas, elevando o risco de desastres ambientais, colapso de sistemas naturais e impactos severos na vida das populações.
Entenda como as mudanças climáticas afetam a saúde humana
O clima e a saúde estão profundamente conectados. Mudanças na temperatura, na qualidade do ar, na disponibilidade de água e no comportamento de vetores de doenças criam riscos para a população, aumentam a incidência de enfermidades e agravam condições já existentes.
Esses impactos podem ocorrer de forma direta, como durante ondas de calor ou enchentes, ou indireta, como na proliferação de mosquitos transmissores de doenças ou no aumento da insegurança alimentar.
A seguir, você verá as principais consequências de algumas dessas alterações no organismo humano.
Efeitos das ondas de calor
As ondas de calor (quando a temperatura se mantém acima da média do período por vários dias) estão se tornando cada vez mais frequentes e intensas.
Nessas situações, o corpo humano tem dificuldade para manter sua temperatura interna regulada, levando a:
- Desidratação severa
- Exaustão pelo calor
- Câimbras e fraqueza
- Insolação (que é uma emergência médica)
- Agravamento de doenças renais
- Aumento da mortalidade em idosos e pessoas com doenças crônicas
Um relatório realizado em 2025 pela University College London em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou um aumento de 23% nas mortes relacionadas ao calor desde os anos 1990, chegando a 546 mil óbitos anualmente.
Pacientes com doenças cardiovasculares, pulmonares e diabéticos estão entre os mais vulneráveis, assim como trabalhadores expostos ao sol e populações de baixa renda.
Além disso, as noites extremamente quentes reduzem a qualidade do sono, prejudicando o funcionamento do organismo e aumentando o risco de problemas neurológicos e metabólicos.
Efeitos de enchentes
Com o aumento das chuvas intensas e a elevação do nível do mar, enchentes e inundações tornaram-se mais comuns. Esses eventos afetam a saúde humana de diversas formas:
- Contaminação da água: as enchentes favorecem a mistura de esgoto com água potável, espalhando doenças como leptospirose, diarreias infecciosas, hepatite A, giardíase e cólera
- Proliferação de vetores: pós-enchentes são ambientes ideais para a reprodução de mosquitos, incluindo o Aedes aegypti, transmissor de dengue, zika e chikungunya
- Acidentes e traumas físicos: deslizamentos, quedas, cortes e afogamentos estão entre os principais riscos
- Problemas respiratórios: ambientes úmidos favorecem mofo e fungos, que desencadeiam alergias e crises de asma
- Impacto psicológico: perdas materiais, deslocamentos forçados e medo de novos eventos causam ansiedade, depressão e estresse pós-traumático
Efeitos de poluição e aumento de gases tóxicos
A queima de combustíveis fósseis e as queimadas liberam gases e partículas tóxicas no ar. Com as mudanças climáticas, essas emissões tendem a se agravar, comprometendo ainda mais a qualidade do ar. Entre os principais efeitos estão:
- Aumento de doenças respiratórias, como asma e bronquite
- Maior risco de infecções pulmonares
- Agravamento de doenças cardiovasculares
- Desenvolvimento mais lento de pulmões em crianças expostas à poluição crônica
Eventos climáticos extremos e os impactos na saúde mental
Eventos climáticos extremos criam um ambiente de tensão constante. A imprevisibilidade de novos desastres, as perdas materiais e emocionais e a ruptura da rotina aumentam drasticamente o risco de problemas psicológicos.
Um estudo de revisão publicado na National Library of Medicine aponta que desastres climáticos estão fortemente associados ao surgimento de transtornos como Transtorno de Estresse Pós‑Traumático (TEPT), depressão e ansiedade.
No caso de enchentes, por exemplo, a revisão indica que até 36% dos afetados chegaram a manifestar TEPT e muitos mantiveram sintomas por meses ou anos.
A seguir, entenda melhor como as mudanças climáticas impactam a saúde mental.
Ansiedade e medo persistente
Após vivenciar situações como enchentes, tempestades intensas ou incêndios, é comum que as pessoas desenvolvam medo contínuo de que o evento aconteça novamente. Essa sensação muitas vezes é acompanhada de:
- Hipervigilância
- Sensação de insegurança
- Dificuldade de relaxar ou retomar a rotina
Depressão e sensação de perda
A destruição de casas, fotos, pertences pessoais, bairros inteiros e até meios de subsistência pode gerar um luto profundo. Esse sentimento de perda muitas vezes evolui para quadros de depressão.
A reconstrução da vida após um desastre costuma ser lenta e emocionalmente exaustiva, o que agrava o quadro.
Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT)
O TEPT é uma das consequências psicológicas mais comuns após desastres naturais. Ele pode surgir semanas ou meses depois e afeta tanto adultos quanto crianças, que são especialmente sensíveis aos impactos traumáticos.
Luto climático
O chamado luto climático ou ecoansiedade descreve o sofrimento emocional causado por mudanças ambientais, como a perda de florestas, rios, espécies e até locais importantes na memória afetiva das pessoas. Ele leva a sentimentos como:
- Angústia
- Impotência
- Culpa ambiental
- Desesperança em relação ao futuro
Transtornos do sono
Temperaturas extremas, ruídos de tempestades, falta de energia, medo de novos desastres e a própria ansiedade contribuem para insônia, despertar frequente durante a noite, ciclos de sono fragmentados, sonolência diurna e exaustão.
A privação de sono, por sua vez, enfraquece o sistema imunológico, reduz a concentração e aumenta o risco de problemas físicos.
Covid-19 e riscos de novas pandemias: qual a relação com as mudanças climáticas?
A pandemia de Covid-19 evidenciou como o mundo está vulnerável a doenças infecciosas. Embora o surgimento do SARS-CoV-2 não tenha sido causado diretamente pelas mudanças climáticas, o aquecimento global aumenta o risco de novas pandemias ao alterar ecossistemas, aproximar humanos de animais silvestres e favorecer a circulação de vírus e vetores.
As mudanças climáticas modificam habitats e expulsam espécies de suas áreas naturais, ampliando o contato humano com animais, o que facilita o spillover (quando vírus passam de animais para pessoas, fenômeno comum em doenças como SARS, MERS e Ebola).
Além disso, insetos transmissores, como mosquitos Aedes e Anopheles, se expandem para novas regiões devido ao aumento da temperatura, elevando o risco de surtos e de circulação de novos patógenos.
Outro ponto crítico é o derretimento do permafrost (solo, rocha e sedimento que permanece congelado por pelo menos dois anos consecutivos), que pode liberar microrganismos antigos, como já ocorreu no surto de antraz (carbúnculo) na Sibéria em 2016.
Somam-se a isso a poluição e o ar seco, que fragilizam o sistema respiratório e tornam a população mais suscetível a infecções respiratórias graves.
Como reduzir os efeitos das mudanças climáticas no organismo?
Proteger a saúde diante das mudanças climáticas exige uma combinação de ações individuais, comunitárias e governamentais. Algumas medidas essenciais incluem:
Evitar exposição excessiva ao calor
- Usar roupas leves
- Evitar atividades físicas ao ar livre em horários muito quentes
- Procurar ambientes ventilados ou climatizados
Manter ambientes livres de focos de mosquitos
- Eliminar água parada
- Usar telas em portas e janelas
- Aplicar repelentes e inseticidas seguros
Proteger-se durante episódios de poluição
- Usar máscaras quando a qualidade do ar estiver ruim
- Evitar exercícios externos durante queimadas
Adotar práticas sustentáveis
- Reduzir o uso de combustíveis fósseis
- Diminuir desperdício de energia
- Consumir alimentos locais e sazonais
- Reciclar sempre que possível
Planejamento em períodos de chuvas intensas
- Evitar áreas de risco
- Armazenar água potável
- Manter kits de emergência em casa
Cuidado com a saúde mental
- Buscar apoio psicológico após eventos traumáticos
- Manter redes de apoio social
Acompanhamento médico regular
Pessoas com doenças crônicas devem manter seus cuidados de rotina em dia, especialmente em períodos de calor extremo ou poluição elevada.
No entanto, realizar check-ups anuais é importante para toda a população, a fim de prevenir condições mais graves.
Com a Vale Saúde, você tem acesso a consultas presenciais e online e exames com descontos exclusivos. Saiba mais!
Referências
Universidade Federal de Santa Maria
Organização das Nações Unidas (ONU)
Pan American Health Organization (PAHO)
National Library of Medicine – PubMed

Escrito por Vale Saúde
A Vale Saúde é uma marca Vivo e oferece serviço de assinaturas com descontos e preços acessíveis para você cuidar melhor da sua saúde.

