Doenças transmitidas pelo Aedes aegpyti preocupam no verão
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Temporada de chuvas aumenta a proliferação do mosquito e acende alerta para a população
O que é o mosquito Aedes aegypti e por que ele se prolifera no verão?
Não é novidade que os dias quentes aumentam a presença de insetos, em especial os mosquitos, como o Aedes aegpyti, uma espécie de origem africana que se adaptou com facilidade às áreas urbanas brasileiras.
Diferentemente de outros insetos, ele se desenvolve principalmente em ambientes próximos às residências, utilizando recipientes com água parada para se reproduzir. Caixas d’água destampadas, pratinhos de plantas, calhas obstruídas e até tampinhas de garrafa servem como criadouros ideais.
Dessa forma, o verão gera as condições perfeitas para a multiplicação do mosquito. As altas temperaturas aceleram o ciclo de vida do Aedes aegypti, reduzindo o tempo necessário para que os ovos se transformem em mosquitos adultos.
Além disso, o período costuma ser marcado por chuvas frequentes, o que aumenta a oferta de água parada nos ambientes urbanos.
De acordo com o Ministério da Saúde, o calor também influencia o comportamento do mosquito, tornando-o mais ativo e ampliando a circulação dos vírus que ele transmite.
Isso explica por que os casos de dengue, zika, chikungunya e febre amarela urbana tendem a crescer nos primeiros meses do ano, exigindo maior atenção das autoridades e da população.
Outro fator relevante é a resistência dos ovos do Aedes aegypti. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), eles conseguem sobreviver por mais de um ano em ambientes secos, aguardando apenas o contato com a água para retomar o desenvolvimento.
Essa característica dificulta o controle do vetor e reforça a necessidade de vigilância constante, inclusive fora do período de chuvas intensas.
Pouco barulho, picada sem dor: a diferença entre pernilongos e o Aedes aegypti
Muitas pessoas acreditam que qualquer mosquito é igual, mas existem diferenças importantes entre o Aedes aegypti e os pernilongos comuns, especialmente no comportamento e no risco à saúde.
Enquanto o pernilongo comum costuma fazer barulho ao voar e tem atividade predominante à noite, atrapalhando o sono, o Aedes aegypti é silencioso e pica principalmente durante o dia, com maior incidência nas primeiras horas da manhã e no fim da tarde.
Outra característica marcante é a picada quase imperceptível. O “mosquito da dengue” injeta uma substância anestésica ao picar, o que reduz a sensação de dor no momento da picada e dificulta a percepção imediata.
Visualmente, o Aedes aegypti também se diferencia por apresentar listras brancas no corpo e nas pernas, enquanto os pernilongos comuns possuem coloração mais uniforme.
Doenças transmitidas pelo Aedes aegpyti: fique atento aos sintomas
O Aedes aegypti é responsável pela transmissão de algumas das principais arboviroses em circulação no Brasil. Embora compartilhem sintomas iniciais semelhantes, essas doenças apresentam evoluções e impactos distintos no organismo.
Febre, dor de cabeça, dores musculares, cansaço intenso e mal-estar geral estão entre os sinais mais frequentes. No entanto, a intensidade dos sintomas, a duração do quadro e o risco de complicações variam conforme o vírus envolvido, a idade da pessoa infectada e a presença de doenças pré-existentes.
Reconhecer as particularidades de cada infecção é fundamental para buscar atendimento adequado e evitar complicações. Confira mais sobre elas abaixo!
Dengue: sinais de alerta e quando procurar ajuda médica
A dengue é a arbovirose mais comum no país e representa um grande desafio para o sistema de saúde. Dados do Ministério da Saúde indicam que o Brasil registra milhões de casos anualmente, com aumento expressivo durante o verão.
Os sintomas mais comuns incluem febre alta de início súbito, dor atrás dos olhos, dores no corpo, fadiga intensa, náuseas e manchas avermelhadas na pele. Em muitos casos, a recuperação ocorre com repouso, hidratação adequada e acompanhamento ambulatorial.
Entretanto, a doença pode evoluir para formas graves. Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura ao se levantar e queda da pressão arterial são sinais de alerta.
A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) destaca que, diante desses sintomas, a avaliação médica imediata é indispensável, pois a dengue grave é capaz de levar a complicações e à óbito.
Zika vírus e chikungunya: entenda as diferenças entre as infecções
O zika vírus costuma causar sintomas leves como febre baixa, manchas avermelhadas na pele, coceira, olhos vermelhos e dores nas articulações. Mesmo assim, a doença ganhou grande atenção no Brasil depois que pesquisadores confirmaram sua relação com malformações em bebês.
Pesquisas realizadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Ministério da Saúde, mostraram que a infecção pelo zika durante a gravidez pode levar à síndrome congênita do zika vírus, que inclui a microcefalia e outras alterações no desenvolvimento neurológico. Por isso, a prevenção contra a picada do mosquito é ainda mais importante para gestantes.
A chikungunya, por sua vez, costuma provocar dores intensas nas articulações, principalmente nas mãos, pés, joelhos e tornozelos. Em algumas pessoas, essas dores não desaparecem após a fase inicial da doença e podem durar meses ou até anos.
Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, parte dos pacientes desenvolve inflamações articulares crônicas, o que impacta a rotina, o trabalho e a qualidade de vida.
Febre amarela: quais são os riscos e por que a vacina é essencial
A febre amarela é uma doença viral grave, capaz de causar complicações sérias, como problemas no fígado e nos rins, e sangramentos.
No Brasil, a transmissão acontece principalmente em áreas silvestres, envolvendo mosquitos e macacos. Mesmo assim, o Aedes aegypti é considerado um transmissor em áreas urbanas, o que mantém o alerta das autoridades de saúde.
Os primeiros sintomas costumam ser febre alta, calafrios, dor de cabeça, dores no corpo e enjoo. Em quadros mais graves, a pessoa apresenta pele e olhos amarelados, sangramentos e falência de órgãos.
De acordo com o Ministério da Saúde, a vacinação é a forma mais eficaz de prevenção contra a febre amarela. A vacina é segura, protege por muitos anos e é fundamental para evitar que a doença volte a circular nas cidades.
Quem faz parte do grupo de risco para complicações?
Embora qualquer pessoa possa contrair doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, alguns grupos têm maior risco de desenvolver formas mais graves.
Esse é o caso de idosos, gestantes, crianças pequenas e pessoas com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, problemas respiratórios e condições autoimunes.
O envelhecimento enfraquece naturalmente o sistema imunológico, o que aumenta o risco de complicações. No caso das gestantes, o cuidado precisa ser ainda maior, especialmente por causa dos riscos associados ao zika vírus.
Pessoas com imunidade baixa ou que fazem uso contínuo de certos medicamentos também devem procurar atendimento médico ao perceber sintomas suspeitos.
Prevenção dentro de casa: onde o Aedes aegypti costuma se esconder
Você sabia que a maior parte dos focos do Aedes aegypti está dentro ou ao redor das casas?
Dados do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), do Ministério da Saúde, mostram que pequenos recipientes com água parada continuam sendo os principais locais de reprodução do mosquito.
Ralos pouco usados, bandejas de ar-condicionado, vasos sanitários sem tampa, calhas entupidas e garrafas mal armazenadas merecem atenção. A recomendação é fazer uma vistoria semanal e eliminar qualquer acúmulo de água.
Proteção individual: como reduzir o risco de picadas
Além de eliminar os focos, algumas medidas ajudam a reduzir o contato com o mosquito.
O uso de repelentes aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é uma das principais formas de proteção, especialmente em regiões com muitos casos.
Usar roupas claras e que cubram braços e pernas, instalar telas em portas e janelas, proteger berços com mosquiteiros e manter ventiladores ou ar-condicionado ligados também dificultam a aproximação do mosquito.
Quando procurar atendimento médico em caso de suspeita?
Ao apresentar febre acompanhada de dor no corpo, manchas na pele, cansaço intenso ou outros sintomas compatíveis com dengue, zika ou chikungunya, o ideal é procurar uma unidade de saúde para avaliação.
Se surgirem sinais de alerta, como sangramentos, dor abdominal forte, confusão mental ou piora rápida do estado geral, o atendimento deve ser imediato.
O acompanhamento médico, feito inicialmente por um clínico geral, é fundamental para garantir o diagnóstico correto e o tratamento adequado.
Lembre-se: não tome remédios por conta própria, pois alguns são capazes de agravar sintomas, como sangramentos. Saiba mais sobre os perigos da automedicação neste outro conteúdo do blog Saúde V!
Referências
Ministério da Saúde – Aedes aegypti: informações gerais
Ministério da Saúde – Campanha sobre sintomas de dengue, Zika e chikungunya
Ministério da Saúde – casos de dengue aumentam no verão
Secretaria de Saúde do Distrito Federal – Boletins e LIRAa
Fiocruz – Informações confiáveis sobre o Aedes aegypti e arboviroses
Biblioteca Virtual em Saúde – Ciclo de vida Aedes Aegpyti

Escrito por Vale Saúde
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