Conheça os riscos da automedicação e a necessidade de um acompanhamento clínico profissional
A importância do uso seguro de medicamentos
Medicamentos não são produtos isentos de risco. Mesmo aqueles vendidos sem receita exigem orientação profissional. A avaliação médica do seu clínico geral, dentista ou farmacêutico é fundamental para garantir eficácia, segurança e cuidado adequado à saúde.
Um artigo científico publicado em dezembro de 2024 no International Journal of Advanced Engineering Research and Science relata que 1,2 milhão de casos de intoxicação foram registrados no Brasil no período entre 2012 e 2021. Destes, pelo menos 596 mil foram provocados por medicamentos.
Além disso, o país registra cerca de 20 mil mortes por ano devido à automedicação, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma). Os dados são alarmantes e chamam a atenção para um problema de saúde pública comum não apenas no Brasil, mas em todo o mundo.
Existe uma Lei Federal (14.912/24) que estabelece campanhas permanentes sobre os riscos da automedicação, especialmente em relação ao uso de antibióticos e medicamentos controlados, visando informar a população e reduzir práticas inadequadas.
De acordo com o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas da fundação Oswaldo Cruz (Sinitox), o uso incorreto de medicamentos responde a 27% dos casos de intoxicação no Brasil. Além disso, entre esses casos, 16% acabam levando ao óbito.
Um dos fatores que influenciam a automedicação é a ideia de que remédios são produtos para consumo como qualquer outro. Afinal, muitas vezes isso acontece sem levar em consideração os problemas e efeitos colaterais capazes de ocasionarem.
Portanto, essa prática também influencia na sobrecarga da saúde pública. A demanda de agendamentos aumenta com o aparecimento de sintomas causados pela automedicação.
Segundo um levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), 35% dos medicamentos vendidos no Brasil não possuem indicação médica. Em consequência, os hospitais acabam gastando entre 15% e 20% do seu orçamento para tratar problemas causados pela automedicação.
Continue a leitura para saber mais sobre os riscos!
O que é automedicação?
Muita gente tem o costume de sentir dor e tomar, por conta própria, uma dose de algum remédio que tenha em casa e já funcionado anteriormente. Essa prática é conhecida como “automedicação” e, por mais inofensiva que possa parecer, pode acarretar diversas consequências à saúde. Entre os riscos estão reações alérgicas, dependência química e até morte.
Isso inclui reutilizar receitas antigas, seguir indicações de amigos ou familiares, ou basear decisões em informações encontradas na internet.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a automedicação é aceita quando se trata de uma medida de autocuidado, e não autoprescrição. Isso significa que ela só deve ocorrer quando a pessoa:
- Já foi bem orientada por um profissional da saúde em relação ao uso daquele medicamento específico
- Conhece os sintomas e as causas do problema que está apresentando
- Sabe os efeitos daquele medicamento no seu corpo
Mesmo nesses casos, porém, a automedicação não substitui a avaliação feita por um médico. Esses profissionais são treinados para avaliar cada caso e decidir a conduta terapêutica mais adequada.
Uma pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) revela que nove entre dez brasileiros tomam medicamentos sem prescrição. Conforme o levantamento de 2024, a automedicação é mais comum para sintomas como dores de cabeça, gripes, resfriados, febres e dores musculares.
Para esses casos mais corriqueiros, em que os problemas de saúde tendem a se resolver sozinhos, e a automedicação é feita com medicamentos de venda livre como analgésicos e antitérmicos, ela só será adequada desde que se siga as orientações de bula. Para além disso, a prática possui diversas contraindicações por conta de seu risco à saúde.
Entre os principais fatores que contribuem para essa prática estão:
- Dificuldade de acesso a consultas médicas
- Busca por alívio rápido dos sintomas
- Normalização do uso frequente de medicamentos
- Excesso de informações, muitas vezes imprecisas, nas redes sociais
Esse comportamento cria a falsa ideia de controle sobre a própria saúde, quando, na realidade, consegue gerar consequências graves.
Quais são os riscos à saúde?
Usar medicamentos sem prescrição médica é perigoso porque envolve riscos clínicos relevantes que muitas vezes são subestimados. A automedicação é capaz de comprometer a saúde a curto e a longo prazo, além de dificultar diagnósticos adequados.
A seguir, os principais motivos:
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Risco de efeitos colaterais e reações adversas
Todo medicamento possui potenciais efeitos adversos. Sem avaliação médica, a pessoa usa doses inadequadas, por tempo excessivo ou escolhe um fármaco contraindicado para sua condição, aumentando o risco de náuseas, sangramentos, arritmias, alterações neurológicas, hepáticas ou renais, entre outros.
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Interações medicamentosas perigosas
Medicamentos interagem entre si, com suplementos ou com plantas medicinais. Algumas interações reduzem a eficácia do tratamento; outras podem ser graves ou até fatais. Sem conhecimento técnico, é difícil prever essas combinações.
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Mascaramento de doenças graves
O uso de analgésicos, anti-inflamatórios ou antitérmicos consegue aliviar sintomas temporariamente e atrasar o diagnóstico de doenças importantes, como infecções, problemas cardíacos, gastrointestinais ou neurológicos.
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Agravamento do quadro clínico
A escolha errada do medicamento é capaz de piorar a doença. Por exemplo, anti-inflamatórios conseguem agravar gastrites, úlceras, hipertensão e insuficiência renal; antibióticos inadequados não tratam a infecção correta e favorecem complicações.
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Resistência medicamentosa (especialmente antibióticos)
O uso indevido de antibióticos contribui para a resistência bacteriana, um problema de saúde pública. Isso torna infecções futuras mais difíceis de tratar, exigindo medicamentos mais fortes, caros e com mais efeitos colaterais.
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Risco de dependência e uso abusivo
Alguns medicamentos, como calmantes, opioides, estimulantes e até descongestionantes nasais, podem causar dependência física ou psicológica quando usados sem orientação adequada.
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Doses inadequadas e intoxicação
A automedicação aumenta o risco de superdosagem ou uso prolongado além do recomendado, levando a intoxicações agudas ou danos crônicos ao fígado, rins e sistema nervoso.
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Falta de individualização do tratamento
Prescrição médica considera idade, peso, histórico de saúde, uso de outros medicamentos, gravidez, amamentação e condições pré-existentes. Sem essa avaliação, há a possibilidade de o tratamento ser ineficaz ou perigoso.
Medicamentos com maior risco quando usados sem receita
Algumas classes de medicamentos apresentam riscos ainda maiores quando utilizadas sem orientação profissional, como:
- Anti-inflamatórios, associados a sangramentos e problemas renais
- Antibióticos, ligados à resistência bacteriana
- Calmantes e ansiolíticos, com risco de dependência
- Medicamentos para emagrecimento, que podem afetar o coração e o metabolismo
- Descongestionantes nasais, que causam efeito rebote e dependência
Esses medicamentos exigem acompanhamento médico para garantir segurança e eficácia.
Quem corre mais risco ao se automedicar
Certos grupos de pessoas (como crianças muito pequenas, adultos mais velhos, imunossuprimidos, pacientes crônicos, grávidas e lactantes) são mais vulneráveis aos efeitos prejudiciais dos medicamentos, incluindo remédios de venda livre. Quando essas pessoas usam medicamentos, é necessário tomar precauções especiais, incluindo supervisão médica.
Para evitar interações medicamentosas perigosas, as pessoas devem consultar um médico ou um farmacêutico, antes de tomarem medicamentos sob prescrição e medicamentos de venda livre simultaneamente.
Medicamentos de venda livre não são concebidos para tratar doenças graves e conseguem piorar algumas condições. Uma reação inesperada, como erupções cutâneas ou insônia, é um sinal para parar de utilizar o medicamento imediatamente e obter orientação médica.
Confira por que esses grupos são mais propensos aos efeitos negativos da automedicação:
- Crianças, devido à sensibilidade do organismo infantil
- Idosos, pelo uso simultâneo de vários medicamentos
- Gestantes e lactantes, pelo risco ao feto ou ao bebê
- Pessoas com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e doenças renais
Nesses casos, é capaz que o uso de medicamentos sem prescrição médica gere complicações graves.
Quando procurar ajuda médica
O médico é responsável por diagnosticar, prescrever e acompanhar o tratamento, considerando o histórico e as necessidades individuais do paciente. O farmacêutico, por sua vez, desempenha um papel essencial na orientação sobre o uso correto, efeitos colaterais e interações medicamentosas, inclusive nos medicamentos isentos de prescrição.
A atuação conjunta desses profissionais é fundamental para a segurança medicamentosa. É fundamental buscar um atendimento especializado quando:
- Os sintomas persistem ou pioram
- Há dor intensa ou febre prolongada
- Existe uso contínuo de medicamentos
- Há dúvidas sobre efeitos colaterais ou interações
A avaliação médica evita riscos desnecessários e garante tratamento adequado.
Algumas medidas simples ajudam a reduzir os riscos da automedicação:
- Não compartilhar medicamentos
- Evitar seguir indicações de terceiros
- Ler atentamente as bulas
- Não reutilizar receitas antigas
É necessário manter acompanhamento regular de saúde, com consultas periódicas com um médico de confiança e realizar exames de check-up. Informação de qualidade e orientação profissional são pilares do cuidado em saúde.
Na Vale Saúde, você agenda consultas com esses médicos e profissionais da saúde de forma ágil, podendo encaminhar um tratamento acessível, incluindo exames também com desconto.
Cuide-se em todas as fases da vida e não hesite em procurar orientação individualizada. Encontre um especialista perto de você!
Referências
Secretaria de Saúde do Espírito Santo
Sociedade Brasileira de Endocrinologia
Secretaria de Saúde do Distrito Federal
Conselho de Odontologia do Sergipe
International Journal of Advanced Engineering Research and Science
Research, Society e Development Journal

Escrito por Vale Saúde
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