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Survodutida: o que é e como funciona a nova promessa contra a obesidade

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Ainda em fase de estudos, substância tem bom desempenho na perda de peso e na melhora da saúde hepática

O que é a survodutida e por que ela está chamando a atenção dos especialistas? 

Nos últimos anos, os medicamentos para tratamento da obesidade deixaram de ser um tema restrito aos consultórios e passaram a ocupar espaço nas conversas do dia a dia. Depois da popularização do Ozempic e do Mounjaro, um novo nome começou a chamar a atenção da comunidade médica: a survodutida. 

A survodutida é um medicamento injetável desenvolvido com objetivo de tratar a obesidade e outras doenças metabólicas associadas ao excesso de peso 

Ainda em fase de estudos clínicos em diversos países, a substância apresentou resultados animadores na redução do peso corporal e da gordura acumulada no fígado, duas condições que afetam milhões de brasileiros, de acordo com o Ministério da Saúde. 

O grande diferencial está no seu mecanismo de ação: ela combina os efeitos do hormônio GLP-1, responsável por aumentar a sensação de saciedade, com a ação do glucagon, que participa da regulação do metabolismo energético e do uso das reservas de gordura pelo organismo. 

Essa combinação despertou interesse porque os estudos apontam não apenas para a redução do peso, mas também para melhorias importantes na saúde metabólica e hepática. 

Como a survodutida age no organismo para favorecer a perda de peso? 

A survodutida conta principalmente com duas substâncias: o GLP-1 e o glucagon 

O GLP-1 é um hormônio produzido naturalmente pelo intestino após a alimentação. Ele participa do controle do apetite, aumenta a sensação de saciedade, reduz a velocidade de esvaziamento do estômago e ajuda a regular os níveis de glicose no sangue, estimulando a liberação de insulina quando necessário. 

Já o glucagon é um hormônio produzido pelo pâncreas e tem ação oposta à da insulina em alguns contextos. Ele auxilia o organismo a mobilizar energia armazenada, favorecendo o uso de gordura e de outras reservas energéticas, especialmente em situações em que o corpo precisa de mais combustível 

No caso da obesidade, essa ação consegue contribuir para a redução da gordura corporal, inclusive da gordura visceral, aquela que se acumula ao redor dos órgãos e está associada ao aumento do risco cardiovascular. 

A união desses dois mecanismos busca atuar tanto na ingestão de alimentos quanto no gasto energético, estratégia considerada uma das apostas mais promissoras da nova geração de medicamentos para obesidade. 

O que os estudos já descobriram sobre os resultados da survodutida? 

Os resultados divulgados até agora pelo laboratório responsável são considerados bastante positivos. 

Em estudos de fase 3, participantes tratados com a substância apresentaram perda média de aproximadamente 16% do peso corporal após 76 semanas de acompanhamento. Em outra pesquisa, envolvendo pessoas com obesidade e gordura no fígadoa redução média do peso foi superior a 12% em menos de um ano. 

Além disso, cerca de 8 em cada 10 participantes conseguiram reduzir pelo menos 5% do peso inicial, índice associado a benefícios importantes para a saúde, como melhora da pressão arterial, do colesterol e da resistência à insulina. 

Apesar dos resultados animadores, especialistas reforçam que os estudos continuam em andamento e que novas análises serão importantes para avaliar a eficácia e a segurança a longo prazo. 

Além do emagrecimento: a survodutida também pode beneficiar a saúde do fígado? 

Sim. Esse é um dos aspectos que mais têm despertado interesse entre pesquisadores. 

A obesidade está diretamente relacionada ao acúmulo de gordura no fígado, condição atualmente conhecida como doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD). 

Nos estudos recentes, a survodutida promoveu reduções expressivas da gordura hepática e levou muitos participantes a atingir níveis considerados normais desse acúmulo. Os pesquisadores também observaram diminuição da gordura visceral e sinais de melhora da inflamação relacionada à doença hepática. 

Caso esses resultados sejam confirmados em estudos futuros, o medicamento poderá representar um avanço importante no tratamento conjunto da obesidade e das doenças do fígado associadas ao excesso de peso. 

Survodutida, Ozempic ou Mounjaro: quais são as diferenças entre esses medicamentos? 

Embora os três medicamentos estejam relacionados ao tratamento da obesidade, existem diferenças importantes entre eles. 

Ozempic e o Wegovy utilizam a semaglutida, que atua apenas no receptor de GLP-1. O Mounjaro, por sua vez, utiliza a tirzepatida, que combina a ação do GLP-1 com outro hormônio chamado GIP. 

Já a survodutida associa GLP-1 e glucagon, estratégia diferente das demais opções disponíveis atualmente. 

Ainda é cedo para afirmar qual abordagem será superior em todos os pacientes, já que fatores como histórico de saúde, presença de diabetes e doenças associadas influenciam na escolha do tratamento. 

Quais efeitos colaterais podem estar associados ao uso da survodutida? 

Assim como acontece com outros medicamentos dessa classe, os efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais. 

Entre os sintomas relatados nos estudos estão: 

  • Sensação de estômago cheio 

Em parte dos participantes, esses sintomas levaram à interrupção do tratamento durante os estudos clínicos. Por esse motivo, o acompanhamento médico é fundamental para avaliar riscos, benefícios e possíveis ajustes ao longo do tratamento. 

A survodutida já está disponível no Brasil? 

Ainda não. 

Até o momento, a survodutida não recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para comercialização no Brasil e segue em processo de desenvolvimento clínico em diversos países. 

Enquanto isso, medicamentos como semaglutida e tirzepatida já possuem autorização regulatória para determinadas indicações relacionadas ao diabetes e à obesidade. 

Para quem a survodutida poderá ser indicada no futuro? 

Caso receba aprovação dos órgãos reguladores, a expectativa é que o medicamento seja destinado principalmente a adultos com obesidade ou sobrepeso associado a outras condições de saúde, como diabetes tipo 2hipertensão arterial ou gordura no fígado. 

A definição exata das indicações dependerá dos resultados dos estudos e das decisões das agências regulatórias de cada país. 

Medicamentos para obesidade funcionam sozinhos? 

Não. 

Embora os medicamentos modernos tenham ampliado as possibilidades de tratamento, eles não substituem hábitos saudáveis. 

Alimentação equilibradaprática regular de atividade físicaqualidade do sono e acompanhamento profissional continuam sendo pilares fundamentais para o controle do peso e da saúde metabólica. 

Além disso, é essencial realizar check-ups e acompanhamento médico antes e durante o uso de canetas emagrecedoras de qualquer tipo. O indicado é consultar um endocrinologista e acertar o plano alimentar com um nutricionista. 

Lembre-se: a obesidade é uma doença crônica e multifatorial. Por isso, o tratamento mais eficaz costuma envolver uma combinação de estratégias, adaptadas à realidade e às necessidades de cada pessoa. 

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Escrito por Vale Saúde

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