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Por que sentimos o coração disparado em algumas situações?

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Combinação de descargas hormonais está por trás do sintoma, que pode ter diversas razões

Coração disparado: por que isso ocorre justamente em situações intensas? 

Você já reparou como o coração parece “saltar” em momentos intensos, seja em conversas com alguém especial, durante um momento de estresse no trabalho ou antes de uma apresentação importante? Essa sensação de coração disparado é tão comum que muitos já a associam ao amor, ao nervosismo ou até a medo profundo. Mas por que isso acontece? 

O batimento cardíaco é controlado por uma rede complexa que envolve o sistema nervoso, o cérebro e o sistema endócrino, em especial os hormônios e os neurotransmissores que circulam no corpo.  

Quando vivenciamos situações de alegria, medo ou expectativa excessivos, o cérebro interpreta como algo que requer atenção imediata. Ele então ativa mecanismos que aceleram o coração para preparar o corpo para reagir rapidamente 

Esse fenômeno está ligado à chamada resposta de “luta ou fuga”, um mecanismo fisiológico de sobrevivência descrito há mais de um século e ainda amplamente reconhecido pela ciência como fundamental para respostas rápidas do corpo diante de estímulos emocionais ou ameaças percebidas. 

Dessa forma, vários fatores fazem o coração disparar, mas quando você deve se preocupar? A seguir, vamos falar mais sobre cenários que alteram os batimentos cardíacos, a explicação química por trás dessa sensação e como saber a hora de procurar um médico. Confira! 

Órgão do amor? O que acontece com o coração quando estamos apaixonados 

A expressão “meu coração dispara quando te vejo” pode até parecer uma metáfora romântica, mas há ciência real por trás dessa sensação. 

Quando nos apaixonamos ou sentimos forte atração por alguém, o cérebro libera uma série de substâncias químicas que influenciam diretamente o nosso corpo e, consequentemente, o coração 

Um dos protagonistas dessa resposta é a feniletilamina, um composto químico produzido nos primeiros estágios da atração, capaz de provocar a sensação de euforia e aceleração nos batimentos cardíacos. 

Além disso, o cérebro libera altos níveis de dopamina, um neurotransmissor associado ao sistema de recompensa e bem-estar e que também está ligado à sensação de prazer e motivação. Esse mesmo sistema de recompensa cerebral é ativado em contextos prazerosos, como ao comer algo gostoso ou praticar atividades físicas. 

Outro elemento importante é a ocitocina, apelidada de “hormônio do amor”, liberada em momentos de intimidade e contato social próximo, fortalecendo sentimentos de vínculo emocional. 

Quando esses compostos químicos entram em ação, o corpo responde com batimentos cardíacos mais rápidos, respiração acelerada e uma sensação geral de estar “ligado no modo turbo”. Isso explica por que a paixão muitas vezes é tão intensa e por que a emoção se traduz em sinais físicos tão fortes. 

Estresse e pressão emocional: por que o coração sente primeiro?

O cotidiano moderno, com prazos apertados, problemas financeiros, demandas familiares e excesso de estímulos, faz com que muitas pessoas vivam constantemente sob pressão. E é justamente nesses momentos que o coração costuma “avisar primeiro”. 

Quando vivenciamos situações estressantes, mesmo que não estejam diretamente ligadas à sobrevivência, o corpo interpreta como ameaças potenciais. Isso ativa o eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA), uma rede neuroendócrina que regula a resposta ao estresse. 

Esse eixo estimula a liberação de hormônios como cortisol e adrenalinaO cortisol é conhecido como o hormônio do estresse e, quando liberado, aumenta a frequência cardíaca, a pressão arterial e os níveis de glicose no sangue. 

Essa combinação hormonal faz com que você sinta o coração disparado, respiração mais intensa e até sensações de aperto no peito, efeitos que muitas vezes percebemos antes mesmo de identificar mentalmente o motivo do estresse. 

A relação entre coração disparado e a ansiedade 

ansiedade é uma emoção complexa, caracterizada por uma antecipação de perigo ou preocupação persistente mesmo quando não há uma ameaça real e imediata. 

Quando uma pessoa está ansiosa, o corpo entra em um estado de alerta prolongado. Dessa forma, há maior liberação de substâncias como adrenalina e noradrenalina, duas catecolaminas diretamente responsáveis pela aceleração dos batimentos cardíacos. 

Pesquisas também mostram que durante situações de estresse ou ansiedade aguda, existe uma relação entre como percebemos os sintomas e as resposta física do corpo, incluindo o coração 

Um estudo publicado no Journal of Affective Disorders observou que, em tarefas de estresse psicológico, as alterações percebidas na frequência cardíaca estavam associadas a níveis mais altos de ansiedade. Isso sugere que a forma como interpretamos nossos sintomas físicos está fortemente ligada à intensidade dos sintomas ansiosos, embora a mudança real nos batimentos cardíacos nem sempre seja tão alta quanto a sensação percebida. 

Isso explica por que alguém pode sentir o coração disparado sem estar diante de um perigo real. Trata-se do corpo reagindo como se estivesse em situação de ameaça, mesmo que a causa seja apenas um pensamento sobre o futuro ou a antecipação de um evento social. 

A química por trás do coração acelerado 

Existem vários compostos químicos no corpo que influenciam diretamente a frequência cardíaca. Entender alguns deles ajuda a visualizar melhor por que o coração reage tão intensamente em diferentes situações: 

Adrenalina e noradrenalina 

Esses hormônios são produzidos pelas glândulas suprarrenais e fazem parte da resposta de luta ou fuga. Eles aumentam a frequência cardíaca, elevam a pressão arterial e preparam o corpo para reagir rapidamente a estímulos intensos. 

Cortisol 

O cortisol é um hormônio liberado em resposta ao estresse. Em níveis elevados e prolongados, ele não só aumenta a frequência cardíaca, como também consegue afetar o metabolismo e a saúde cardiovascular a longo prazo. 

Dopamina 

Neurotransmissor associado ao prazer e à recompensa. Seus níveis aumentam em situações de paixão ou excitação emocional. 

Serotonina 

Embora seu papel principal seja regular humor, sono e apetite, alterações nos índices de serotonina também influenciam a forma como interpretamos sensações físicas e emocionais, inclusive a percepção de batimentos cardíacos. 

Mas afinal, coração disparado é sinal de problema? Saiba quando se preocupar 

Sentir o coração disparado de vez em quando é uma resposta fisiológica normal e nem sempre essa sensação é motivo de preocupação médica, especialmente se ela ocorre apenas em situações específicas e desaparece com descanso ou técnicas de respiração. 

Por outro lado, existem sinais capazes de indicar quando a aceleração do coração merece avaliação por um profissional de saúde: 

  • Batimentos muito rápidos de forma persistente ou sem causa aparente 
  • Dor no peito ou sensação de aperto intenso 
  • Episódios frequentes que não melhoram com descanso 
  • Histórico pessoal ou familiar de doenças cardíacas 

Nesses casos, é importante procurar um cardiologista para avaliar possíveis arritmias, disfunções cardíacas ou outras condições que exigem tratamento específico. 

Precisa acalmar o coração? Confira dicas para desacelerar 

Se o seu coração dispara com frequência e isso é incômodo, existem estratégias práticas que conseguem ajudar a reduzir a intensidade das reações e a acalmar o organismo: 

Respiração profunda 

Técnicas de respiração controlada, como inspirar lentamente pelo nariz, segurar o ar por alguns segundos e expirar pela boca, ativam o sistema nervoso parassimpático, responsável por reduzir a frequência cardíaca. 

Meditação e mindfulness 

Práticas de atenção plena, como a meditação, ajudam a reduzir a reatividade emocional, o que por sua vez pode diminuir a resposta exagerada do corpo a estímulos externos. 

Exercícios físicos regulares 

atividade física melhora a capacidade cardiovascular e estimula a liberação de endorfinas, hormônios que promovem bem-estar e auxiliam no equilíbrio do sistema nervoso. 

Sono adequado 

Uma boa noite de sono reduz o nível de cortisol e melhora a regulação emocional, fazendo o corpo responder melhor ao estresse

Terapia psicológica 

psicoterapia promove o reconhecimento de gatilhos emocionais e ensina estratégias de manejo da ansiedade, reduzindo episódios de coração acelerado relacionados a estados emocionais crônicos. 

Saiba mais sobre a importância do trabalho de um psicólogo e como esse profissional pode te ajudar a lidar com diversas questões! 

Referências 

Associação Paulista de Medicina 

Ministério da Saúde 

Universidade Federal de Alfenas 

American Heart Association 

Harvard Medical School 

PubMed 

Health Direct 

Medline Plus 

 

 

 

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Escrito por Vale Saúde

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