
Tabagismo volta a aumentar em todo o mundo após anos de queda no número de fumantes
O alerta sobre avanço do cigarro eletrônico e da nicotina
Nos últimos anos, autoridades de saúde passaram a demonstrar preocupação principalmente com a popularização dos cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, especialmente entre adolescentes e adultos jovens.
Pesquisas recentes mostram que o consumo desses dispositivos vem crescendo no Brasil e no mundo. Um levantamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que 8,7% dos adolescentes brasileiros entre 14 e 17 anos relataram uso de cigarros eletrônicos, número superior ao do cigarro convencional na mesma faixa etária. O estudo ainda apontou que mais de 26 milhões de brasileiros utilizam algum produto com nicotina.
Dados internacionais também reforçam esse cenário. Segundo a OMS, mais de 100 milhões de pessoas utilizam cigarros eletrônicos no mundo, incluindo cerca de 15 milhões de jovens entre 13 e 15 anos. A organização descreve o fenômeno como uma “nova onda de dependência da nicotina”, impulsionada principalmente pelo apelo dos vapes entre adolescentes.
Outro ponto que preocupa especialistas é a normalização do ato de fumar novamente. Após décadas de campanhas antitabagismo, o cigarro eletrônico reacendeu o interesse pelo consumo de nicotina em diferentes faixas etárias, inclusive entre pessoas que nunca haviam fumado antes.
Vape virou febre entre jovens e isso preocupa especialistas
O crescimento do uso de vape entre jovens está relacionado a diversos fatores, como curiosidade, influência de amigos, marketing indireto nas redes sociais e a falsa sensação de segurança em comparação ao cigarro comum.
Muitos adolescentes enxergam o dispositivo como algo “menos agressivo”, principalmente pela ausência do cheiro forte característico do tabaco tradicional.
Os sabores doces e frutados também ajudam a tornar o produto mais atrativo. Além disso, o formato discreto facilita o uso em ambientes fechados e até dentro de escolas, o que aumenta ainda mais a exposição precoce à nicotina.
Iniciar o consumo ainda na adolescência favorece o desenvolvimento da dependência química. Nessa fase da vida, o cérebro continua em formação, o que torna os efeitos da nicotina ainda mais intensos sobre atenção, memória, controle emocional e comportamento.
Nicotina vicia rápido? Entenda como surge a dependência
A nicotina é uma substância altamente viciante que atua diretamente no cérebro. Após a inalação, ela chega rapidamente à corrente sanguínea e estimula a liberação de dopamina, neurotransmissor ligado à sensação de prazer e recompensa.
Com o uso frequente, o organismo passa a associar o cigarro ou o vape a momentos de relaxamento, alívio da ansiedade ou sensação de bem-estar. Aos poucos, o cérebro se adapta à presença constante da nicotina e começa a exigir doses cada vez maiores para alcançar o mesmo efeito.
Esse mecanismo explica por que muitas pessoas encontram dificuldade para abandonar o hábito, mesmo conhecendo os prejuízos à saúde. Irritabilidade, inquietação, dificuldade de concentração e alterações no humor estão entre os sintomas mais comuns da abstinência.
Falta de ar, ansiedade e doenças cardíacas: os impactos do tabagismo na saúde
O tabagismo afeta praticamente todo o organismo. Entre os danos mais conhecidos estão doenças respiratórias, como bronquite crônica, enfisema pulmonar e câncer de pulmão. Tosse frequente, cansaço ao realizar pequenos esforços e sensação de falta de ar também costumam surgir com o tempo.
Os impactos, porém, vão além do sistema respiratório. O consumo de nicotina interfere na circulação sanguínea, aumenta a pressão arterial e favorece problemas cardiovasculares, como infarto e AVC, já que o coração passa a trabalhar sob maior esforço constante.
A saúde mental também sofre consequências. Muitas pessoas recorrem ao cigarro na tentativa de aliviar o estresse, mas a dependência acaba criando um ciclo de ansiedade relacionado à necessidade constante de consumir nicotina.
Em alguns casos, o hábito ainda se associa a alterações no sono, irritabilidade e piora do humor.
“Fumo só de vez em quando”: existe consumo seguro de cigarro ou vape?
Mesmo o consumo ocasional traz riscos para a saúde. Não existe uma quantidade considerada segura para o uso de cigarro ou vape, já que qualquer exposição às substâncias tóxicas presentes nesses produtos gera impactos no organismo.
Algumas pessoas acreditam que fumar apenas em festas, finais de semana ou momentos específicos não causa prejuízos importantes. Ainda assim, a exposição frequente à nicotina favorece a dependência e aumenta o risco de doenças cardiovasculares e respiratórias ao longo do tempo.
No caso dos cigarros eletrônicos, a percepção de menor risco faz com que muitos usuários utilizem o dispositivo com maior frequência durante o dia, elevando ainda mais o contato com nicotina e compostos químicos inalados.
Fumaça passiva faz mal? O risco para quem convive com fumantes
A fumaça liberada pelo cigarro também afeta quem não fuma. Conhecido como tabagismo passivo, esse contato involuntário expõe familiares, colegas de trabalho e outras pessoas às mesmas substâncias tóxicas inaladas pelo fumante.
Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias costumam ser os grupos mais vulneráveis. Entre os efeitos mais comuns estão irritação nos olhos, crises de rinite, agravamento da asma, tosse frequente e maior risco de infecções respiratórias.
A exposição contínua ainda se relaciona ao aumento das chances de doenças cardiovasculares e câncer de pulmão em não fumantes. Por isso, ambientes livres de fumaça são considerados uma importante medida de proteção coletiva.
Reino Unido quer barrar venda de tabaco para novas gerações: entenda a proposta
O governo do Reino Unido anunciou uma proposta que pretende impedir a venda legal de cigarros para pessoas nascidas a partir de 1º de janeiro de 2009. Na prática, a medida criaria uma geração que nunca teria autorização para comprar produtos derivados do tabaco ao longo da vida, mesmo após atingir a maioridade.
A iniciativa surgiu como resposta ao impacto do tabagismo sobre a saúde pública e aos custos relacionados ao tratamento de doenças causadas pelo cigarro. Autoridades britânicas defendem que a estratégia ajuda a reduzir o número de novos fumantes nas próximas décadas.
A proposta também reacendeu debates em outros países sobre políticas mais rígidas de controle do tabaco, principalmente diante do crescimento do consumo de cigarros eletrônicos entre jovens.
Parar de fumar sozinho é difícil? Veja quando procurar ajuda profissional
Muitas pessoas tentam abandonar o cigarro sem ajuda, mas a dependência química da nicotina torna esse processo bastante desafiador. Em alguns casos, recaídas acontecem diversas vezes antes da interrupção definitiva do hábito.
Buscar apoio profissional ajuda a aumentar as chances de sucesso. Médicos, psicólogos e equipes especializadas conseguem identificar o grau de dependência e indicar estratégias mais adequadas para cada situação.
O tratamento pode incluir acompanhamento psicológico, adesivos ou medicamentos específicos para controle da abstinência, além de mudanças na rotina que ajudam a reduzir os gatilhos ligados ao cigarro.
Procurar ajuda se torna ainda mais importante quando o tabagismo já provoca sintomas respiratórios, cardiovasculares ou sofrimento emocional.
O que acontece no corpo dias e meses após parar de fumar
Os benefícios de parar de fumar começam rapidamente. Poucas horas após o último cigarro, os níveis de oxigênio no sangue melhoram e a pressão arterial tende a se estabilizar. Em poucos dias, o olfato e o paladar também começam a recuperar sensibilidade.
Nas semanas seguintes, a circulação sanguínea melhora e atividades simples do dia a dia passam a exigir menos esforço físico. Tosse e falta de ar costumam diminuir gradualmente conforme o pulmão recupera parte de sua função.
Com o passar dos meses e anos, o risco de doenças cardíacas, AVC e diferentes tipos de câncer reduz de forma significativa. Além dos ganhos físicos, muitas pessoas relatam melhora na disposição, no sono, na autoestima e na qualidade de vida como um todo.
Para quem deseja mudar de hábito, é importante contar com apoio profissional, informação e acolhimento ao longo do processo.

Escrito por Vale Saúde
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