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Saúde e Bem-estar

Poluição e fertilidade masculina: qual é a relação?

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Aumento da infertilidade entre homens gera alerta e qualidade do ar está entre os fatores de risco

Fertilidade masculina em queda: por que isso preocupa os especialistas? 

Você já ouviu falar que a fertilidade masculina está diminuindo ao longo das últimas décadas? Esse assunto chama cada vez mais a atenção da comunidade científica e, por isso, recentemente diversas pesquisas foram realizadas em diferentes países. 

O resultado é preocupante: foi constatada uma redução gradual na qualidade do sêmen e na concentração de espermatozoides em homens de todo o mundo. 

Um dos estudos mais conhecidos e conceituados, publicado em 2022 na revista Human Reproduction Update, analisou dados de mais de 50 mil homens e confirmou essa tendência.  

Embora as causas ainda estejam sendo investigadas, os especialistas acreditam que diversos fatores contribuem para esse cenário. Alimentação desequilibrada, sedentarismo, obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool e estresse fazem parte dessa lista.  

Nos últimos anos, porém, outro fator passou a ganhar destaque: a poluição ambiental. Afinal, aquilo que respiramos diariamente também exerce influência em diferentes funções do organismo, inclusive na saúde reprodutiva. 

A qualidade do ar também influencia a saúde reprodutiva? 

Quando pensamos nos efeitos da poluição, normalmente lembramos dos pulmões ou do coração. Mas a qualidade do ar vai muito além disso. 

A relação entre poluição e fertilidade masculina deixou de ser apenas uma hipótese. Uma meta-análise publicada em 2023 na revista Environment International identificou que homens expostos com frequência a níveis elevados de poluição do ar tendem a apresentar pior qualidade seminal, principalmente em relação à concentração e à motilidade dos espermatozoides.  

Já uma revisão divulgada em 2024 na revista Antioxidants explica que partículas presentes na poluição estimulam o estresse oxidativo e processos inflamatórios, mecanismos que comprometem a produção e o funcionamento dos espermatozoides.  

Entre essas partículas está o material particulado fino (PM2.5), formado principalmente pela fumaça dos veículos, atividades industriais e queimadas.  

Além do PM2.5, gases como dióxido de nitrogênio (NO₂) e ozônio (O₃) também aparecem com frequência nas pesquisas sobre fertilidade masculina. 

Esse tema ganhou tanta relevância que a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que praticamente toda a população mundial vive em regiões onde os níveis de poluição do ar ultrapassam os limites considerados seguros. 

O que a ciência já descobriu sobre poluição e fertilidade masculina? 

Embora ainda existam perguntas sem resposta, as evidências encontradas são consistentes. As pesquisas apontam que homens expostos durante longos períodos a ambientes mais poluídos apresentam com maior frequência: 

  • Menor concentração de espermatozoides 
  • Redução da motilidade, que é a capacidade de movimentação dessas células 
  • Alterações no formato dos espermatozoides 
  • Maior fragmentação do DNA espermático 

Essas mudanças não significam, obrigatoriamente, infertilidade. No entanto, elas diminuem as chances de uma gravidez acontecer naturalmente e, em alguns casos, aumentam a necessidade de investigação médica. 

Outro ponto importante é que a fertilidade depende de vários fatores. Idade, genética, doenças, hábitos de vida e fatores ambientais atuam em conjunto. Por isso, a poluição deve ser vista como mais uma peça desse quebra-cabeça. 

Por que a poluição pode prejudicar os espermatozoides? 

A explicação está em um mecanismo chamado estresse oxidativo. 

Nosso organismo produz naturalmente moléculas conhecidas como radicais livres. Em quantidades equilibradas, elas participam de vários processos importantes. O problema surge quando esse número aumenta além do necessário. 

Nesse cenário, ocorre um desequilíbrio que danifica células e tecidos. Os espermatozoides estão entre as células mais sensíveis a esse processo. 

O excesso de radicais livres reduz sua capacidade de movimentação, compromete sua estrutura e ainda provoca danos ao DNA. Isso dificulta a fecundação e, em alguns casos, aumenta o risco de alterações no desenvolvimento do embrião. 

Além disso, alguns poluentes favorecem processos inflamatórios e interferem na produção de hormônios, como a testosterona, essencial para a formação dos espermatozoides. 

Nem toda poluição é igual: quais substâncias representam os maiores riscos para os homens? 

Quando falamos em poluição, muita gente imagina apenas a fumaça dos carros. Mas existem diversos contaminantes que também merecem atenção. 

Entre os principais estão: 

  • Material particulado (PM2.5): partículas microscópicas presentes na fumaça de veículos, indústrias e queimadas. São consideradas uma das maiores preocupações para a saúde 
  • Metais pesados: chumbo, mercúrio e cádmio aparecem em alguns processos industriais e estão associados à redução da qualidade do sêmen 
  • Pesticidas: trabalhadores rurais e pessoas expostas com frequência a esses produtos exigem atenção especial, já que algumas substâncias afetam o equilíbrio hormonal 
  • Disruptores endócrinos: compostos encontrados em determinados plásticos, embalagens, cosméticos e produtos químicos capazes de alterar o funcionamento dos hormônios 
  • Microplásticos: pesquisas recentes identificaram essas pequenas partículas em diferentes tecidos do corpo humano, inclusive nos testículos. Os efeitos sobre a fertilidade ainda estão sendo investigados, mas o tema desperta preocupação entre os cientistas 

Quem está mais exposto aos efeitos da poluição na fertilidade? 

Embora ninguém esteja totalmente livre da poluição, algumas pessoas convivem diariamente com níveis muito mais elevados de exposição. 

É o caso de quem mora em grandes centros urbanos, trabalha próximo a rodovias movimentadas ou exerce atividades em indústrias, mineração, construção civil e agricultura. Profissionais que lidam frequentemente com pesticidas, solventes ou metais pesados também fazem parte desse grupo. 

Além disso, alguns hábitos aumentam ainda mais esse impacto. Fumar, manter uma alimentação pobre em nutrientes, viver sob estresse constante e praticar pouca atividade física favorecem alterações que comprometem a saúde reprodutiva. 

Ou seja, o ambiente e o estilo de vida caminham lado a lado quando o assunto é fertilidade. 

É possível proteger a fertilidade masculina dos efeitos da poluição? 

Nem sempre é viável escapar da poluição, principalmente para quem vive em grandes cidades. Ainda assim, algumas atitudes ajudam a reduzir seus impactos sobre o organismo. 

Entre elas estão: 

  • Utilizar equipamentos de proteção quando houver contato ocupacional com produtos químicos 
  • Acompanhar os índices de qualidade do ar e evitar exercícios ao ar livre nos dias mais críticos 

Esses cuidados fortalecem o organismo como um todo e favorecem o funcionamento adequado do sistema reprodutor. 

Quando é hora de procurar ajuda médica? 

Nem toda dificuldade para engravidar está relacionada à infertilidade masculina. Ainda assim, alguns sinais merecem atenção. 

Segundo a Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), quando um casal mantém relações frequentes, sem métodos contraceptivos, e a gravidez não acontece após 12 meses, é recomendado procurar avaliação médica. Se a mulher tiver mais de 35 anos, essa investigação costuma começar após seis meses de tentativas. 

Também vale buscar um urologista quando houver histórico de doenças nos testículos, cirurgias na região genital, infecções sexualmente transmissíveis, exposição intensa a produtos químicos ou alterações identificadas em exames anteriores. 

O espermograma costuma ser o primeiro exame solicitado para avaliar a qualidade do sêmen. A partir dos resultados, o médico investiga possíveis causas e indica o tratamento mais adequado. 

Quanto mais cedo essas alterações forem identificadas, maiores são as chances de preservar a fertilidade e cuidar da saúde reprodutiva de forma completa. 

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Escrito por Vale Saúde

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