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TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo)

Conheça essa desordem psiquiátrica, que é considerada uma forma comum de distúrbio de ansiedade

Artigo revisado pelo Dr. Fábio Poianas Giannini (CRM 100.689)

O que é TOC?

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é caracterizado por pensamentos, imagens ou impulsos involuntários recorrentes (obsessões) ou por atos comportamentais (compulsões) que o indivíduo se sente impelido a realizar. As obsessões geralmente causam ansiedade ou angústia, enquanto as compulsões são muitas vezes uma resposta às obsessões ou de acordo com regras que devem ser aplicadas rigidamente.

A maioria das pessoas com TOC tem obsessões e compulsões. O transtorno geralmente começa na infância ou adolescência, persiste ao longo da vida e produz prejuízo substancial nas funcionalidades do paciente devido à natureza grave e crônica da doença.

Para o indivíduo com o distúrbio, as obsessões e compulsões causam sofrimento significativo. Em última análise, ele se sente levado a realizar atos compulsivos para tentar aliviar seu estresse. Apesar dos esforços para ignorar ou se livrar de pensamentos ou impulsos incômodos, eles continuam voltando. Isso leva a um comportamento mais ritualístico, conhecido como ciclo vicioso do TOC.

Quais são os sintomas de TOC?

Em geral, o transtorno obsessivo-compulsivo inclui obsessões e compulsões, mas também é possível ter apenas sintomas de obsessão ou apenas sintomas de compulsão. A pessoa pode ou não perceber que suas obsessões e compulsões são excessivas ou irracionais, mas elas ocupam muito tempo e interferem em sua rotina diária e funcionamento social, escolar ou profissional.

Muitas pessoas com sinais de TOC suspeitam ou sabem que seus pensamentos obsessivos não são realistas; outros podem pensar que podem ser verdade. Mesmo que saibam que seus pensamentos não são realistas, as pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo têm dificuldade em se desvencilhar dos pensamentos obsessivos ou interromper as ações compulsivas.

Sinais de obsessão

As obsessões do TOC são pensamentos, imagens ou impulsos repetidos, persistentes e indesejados que causam emoções angustiantes, como medo, nojo ou ansiedade. Muitas pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo reconhecem que os pensamentos são um produto de sua mente e que são irracionais ou excessivos. No entanto, a angústia causada por esses pensamentos intrusivos não pode ser resolvida pelo raciocínio ou lógica.

A maior parte das pessoas com TOC e ansiedade tenta aliviar a angústia do pensamento obsessivo, ou desfazer as ameaças percebidas, usando compulsões. Eles também podem tentar ignorar ou suprimir as obsessões ou se distrair com outras atividades. Em geral, essas obsessões se intrometem quando o indivíduo está tentando pensar ou fazer outras coisas. Em geral, as obsessões têm temas, como:

  • Medo de contaminação ou sujeira
  • Duvidar e ter dificuldade em tolerar a incerteza
  • Precisar de coisas ordenadas e simétricas
  • Pensamentos agressivos ou horríveis sobre perder o controle e prejudicar a si mesmo ou aos outros
  • Pensamentos indesejados, incluindo agressão, ou assuntos sexuais ou religiosos

Exemplos de sintomas ou sinais de obsessão incluem:

  • Medo de contaminação por pessoas, objetos ou pelo meio ambiente
  • Dúvidas de que você trancou a porta de casa ou desligou o fogão
  • Enorme estresse quando objetos não estão ordenados
  • Imagens de dirigir seu carro contra uma multidão de pessoas
  • Pensamentos sobre gritar obscenidades ou agir de forma inadequada em público
  • Pensamentos ou imagens sexuais perturbadoras ou desagradáveis
  • Evitar situações que possam desencadear obsessões, como apertar as mãos
  • Medos ou pensamentos religiosos, muitas vezes blasfemos
  • Medo de perpetrar agressão ou ser prejudicado (ele próprio ou entes queridos)
  • Extrema preocupação, sensação de que algo não está completo
  • Extrema preocupação com ordem, simetria ou precisão
  • Medo de perder ou descartar algo importante

Também podem ser pensamentos, imagens, sons, palavras ou música aparentemente sem sentido.

Sinais de compulsão

As compulsões são atos mentais ou comportamentos repetitivos que um indivíduo se sente forçado a fazer em resposta a uma obsessão. Em geral, os comportamentos evitam ou reduzem temporariamente o sofrimento de uma pessoa relacionado a uma obsessão, e é mais provável que façam o mesmo no futuro.

Compulsões podem ser respostas excessivas diretamente relacionadas a uma obsessão (como lavar as mãos em excesso devido ao medo de contaminação) ou ações completamente alheias à obsessão. Em casos mais graves, a repetição contínua de rituais pode preencher o dia, o que impossibilita uma rotina normal.

Quem tem TOC também podem evitar certas pessoas, lugares ou situações que lhes causam angústia e desencadeiam obsessões e/ou compulsões. Evitar essas coisas pode prejudicar ainda mais sua capacidade de funcionar na vida e pode ser prejudicial para outras áreas da saúde mental ou física.

A pessoa pode inventar regras ou rituais para seguir que ajudam a controlar sua ansiedade quando estiver tendo pensamentos obsessivos. Essas compulsões são excessivas e muitas vezes não estão relacionadas de forma realista com o problema que pretendem resolver. Tal como acontece com as obsessões, em geral, as compulsões têm temas, como:

  • Lavagem e limpeza
  • Verificar as coisas
  • Contar
  • Preocupação com ordem
  • Seguir uma rotina rígida
  • Ter receio com segurança

Exemplos de sinais e sintomas de compulsão incluem:

  • Lavar as mãos, tomar banho, escovar os dentes ou ir ao banheiro em excesso ou ritualizado
  • Limpar repetidamente objetos domésticos
  • Verificar as portas repetidamente para se certificar de que estão trancadas
  • Verificar o fogão repetidamente para certificar-se de que está desligado
  • Contar em certos padrões
  • Repetir silenciosamente uma oração, palavra ou frase
  • Ordenar ou organizar as coisas de uma maneira particular
  • Buscar constantemente aprovação ou garantia

Os sintomas podem piorar quando a pessoa experimenta um estresse maior. O transtorno obsessivo-compulsivo, em geral considerado um transtorno para toda a vida, pode ter sintomas leves a moderados ou ser tão grave e demorado que se torna incapacitante.

É importante salientar que o TOC frequentemente está associado a outras doenças psiquiátricas como ansiedade, depressão e transtorno afetivo bipolar.

Quando consultar um médico?

Há uma diferença entre ser perfeccionista, ou seja, alguém que exige resultados ou desempenho perfeitos, por exemplo, e ter TOC. Os pensamentos do transtorno obsessivo-compulsivo não são apenas preocupações excessivas com problemas reais em sua vida ou gostar de ter as coisas limpas ou organizadas de uma maneira específica.

Frequentemente o apoio de familiares e entes queridos é decisivo para a atitude de procurar ajuda médica. Se suas obsessões e compulsões estão afetando sua qualidade de vida, consulte seu médico ou um profissional de saúde mental.

Como é o diagnóstico?

Um diagnóstico do transtorno requer a presença de pensamentos obsessivos e/ou compulsões que consomem tempo (mais de uma hora por dia), causam sofrimento significativo e prejudicam o trabalho ou o funcionamento social.

A confirmação diagnóstica deve ser feita por um profissional da Medicina especializado em saúde mental, um psiquiatra.

Incidência

No Brasil, é considerado um transtorno comum, uma vez que por ano são registrados mais de 150 mil casos. Nos Estados Unidos, o TOC afeta de 2 a 3% das pessoas e, entre os adultos, mais mulheres do que homens são afetados. O transtorno obsessivo-compulsivo geralmente começa na infância, adolescência ou início da idade adulta. Algumas pessoas podem ter alguns sintomas de TOC, mas não atendem a todos os critérios para esse transtorno.

Quais são as causas do TOC?

As causas do transtorno obsessivo-compulsivo não são claras. Os especialistas acreditam se tratar de uma condição relacionada a múltiplos fatores.

Pesquisas indicam a existência de modificações na comunicação entre algumas zonas no cérebro que utilizam o neurotransmissor serotonina. Histórico familiar e aspectos psicológicos também podem ter ligação com as causas do transtorno.

TOC tem cura? Qual é o melhor tratamento?

O transtorno é uma condição de saúde crônica, não tem cura, mas pode ter um controle satisfatório dos sintomas.

Pacientes com TOC que recebem tratamento adequado geralmente experimentam aumento da qualidade de vida e melhora funcional. O acompanhamento de profissional de saúde para TOC pode melhorar a capacidade do indivíduo na escola e no trabalho, desenvolver e desfrutar de relacionamentos e buscar atividades de lazer. O tratamento do TOC tem diferentes abordagens possíveis para atingir controle adequado.

Terapia cognitiva comportamental (TCC)

Um tratamento eficaz é um tipo de terapia cognitivo-comportamental (TCC) conhecida como prevenção de exposição e resposta. Durante as sessões de tratamento, os pacientes são expostos a situações temidas ou imagens que se concentram em suas obsessões. Embora seja padrão começar com aqueles que apenas levam a sintomas leves ou moderados, inicialmente, esse tratamento pode causar aumento da ansiedade.

Os pacientes são instruídos a evitar realizar seus comportamentos compulsivos usuais (conhecidos como prevenção de resposta). Ao permanecer em uma situação temida sem que nada terrível aconteça, eles aprendem que seus pensamentos de medo são apenas fictícios.

As pessoas aprendem que podem lidar com seus receios sem depender de comportamentos ritualísticos, e a ansiedade diminui com o tempo. Usando diretrizes baseadas em evidências, terapeutas e pacientes normalmente colaboram para desenvolver um plano de exposição que gradualmente se move de situações de menor para maior ansiedade.

As exposições são realizadas tanto em sessões de tratamento quanto em casa. Algumas pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo podem não concordar em participar da TCC por causa da ansiedade inicial que ela evoca, mas é a ferramenta mais poderosa disponível para tratar muitos tipos de TOC.

Medicamentos

Uma classe de remédios conhecidos como inibidores seletivos da recaptação da serotonina, em geral, usados para tratar a depressão, também pode ser útil no tratamento do TOC. A dosagem usada para tratar o transtorno obsessivo-compulsivo é muitas vezes maior do que a usada para tratar a depressão.

O benefício máximo geralmente leva de 6 a 12 semanas ou mais para ser totalmente percebido pelo paciente. Pacientes com sintomas de TOC leves a moderados são tipicamente tratados com TCC ou medicação, dependendo da preferência do indivíduo, das habilidades cognitivas e do nível de percepção, da presença ou ausência de condições psiquiátricas associadas e da disponibilidade de tratamento.

O melhor caminho é uma combinação de TCC e medicamentos, especialmente se for TOC com sintomas graves.

Cuidados pessoais

Manter um estilo de vida saudável pode ajudar a lidar com o TOC. Ter um sono de boa qualidade, comer alimentos saudáveis, fazer exercícios e passar tempo com outras pessoas pode ajudar na saúde mental de maneira geral.

Além disso, usar técnicas básicas de relaxamento, quando a pessoa não estiver fazendo exercícios de exposição, como meditação e ioga, pode ajudar a aliviar o estresse e a ansiedade.

Como apoiar um ente querido que luta contra o TOC?

Em pessoas com TOC que moram com familiares, amigos ou cuidadores, é recomendado contar com seu apoio para ajudar na prática de exposição em casa. De fato, a participação de familiares e amigos é um fator de sucesso do tratamento.

‘Tique’ ou TOC?

Algumas pessoas costumam confundir o chamado “tique nervoso” com o TOC. Nesse caso, a confusão pode ocorrer em razão de determinadas semelhanças da repetitividade dos comportamentos.

Segundo especialistas, porém, um tique pode ser entendido como um movimento involuntário da pessoa, como um olho piscando ou um movimento muscular, algo bem distante do que é o transtorno obsessivo-compulsivo. Eventualmente, os tiques acontecem em pacientes com TOC, mas também podem aparecer em outras situações clínicas.

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